terça-feira, 25 de junho de 2013

FICHA DO 7°ANO

Liberdade




(Retirado da página de humor do Facebook “O bode gaiato”)

Podemos dizer que a liberdade é o bem mais valioso que nós temos. Seria muito estranho alguém que se privasse da sua liberdade por decisão própria. A liberdade é uma coisa tão valiosa que quando alguém comete um crime, a punição mais temível, fora a pena de morte, é a prisão. Mas, será que nós sabemos exatamente o que é liberdade?  
Tendemos a dizer que liberdade é fazer aquilo que queremos fazer. Disso, podemos concluir que liberdade é a ausência de determinações que nos obriguem a fazer o que não queremos. Porém, antes de falar sobre liberdade propriamente, falemos sobre o que vem a ser o determinismo: “De acordo com o Grande Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, determinismo  é o “princípio segundo o qual tudo no universo, até mesmo a vontade humana, está submetido a leis necessárias e imutáveis, de tal forma que o comportamento humano está totalmente determinado pela natureza, e o sentimento de liberdade não passa de uma ilusão da nossa cabeça”. Segundo o Vocabulário de Filosofia, determinismo é “a teoria segundo a qual tudo está determinado, isto é, submetido a condições necessárias e suficientes, elas próprias também determinadas”.
Até hoje, encontramos muitas pessoas que dizem: “o destino está traçado”. Esta expressão quer dizer que todas as nossas ações e nosso comportamento não são frutos dos nossos quereres, mas, de uma lei geral que determina nossos comportamentos. Na Grécia antiga, havia a concepção de que não tínhamos liberdade sobre nossos atos. Vejamos um resumo da história do dramaturgo Sófocles, que sintetiza bem a ideia do determinismo para os povos antigos. (Resumo retirado da Wikipedia, no verbete: Édipo).
            Monte Citerão, entre Tebas e Corinto. Um bebê foi abandonado as margens de um rio e um pastor, por piedade, salva o menino. E é adotado por um rei chamado Pólibo. Muitos anos depois, o jovem de nome Édipo decide ir ao oráculo de Delfos para perguntar sobre sua origem. Lá ele recebe uma terrível profecia: estava destinado a matar o pai e casar com a própria mãe. A fim de evitar o desastre, Édipo abandona Corinto. Em suas andanças, encontra um velho homem, que o maltrata. Com muita raiva, mata o viajante e quase toda sua turma (um só homem escapa). Seguindo sem rumo, chega às portas de Tebas, onde a Esfinge propõe-lhe um enigma. Se errar, morrerá. A resposta de Édipo salva a sua vida e a da cidade. Como dupla recompensa, recebe de Creonte – irmão da rainha e até então regente de Tebas – o título de rei e a mão de Jocasta, viúva de Laio, o rei assassinado misteriosamente.

Passam-se mais de quinze anos. Uma peste terrível assola a cidade. Após consulta ao oráculo de Delfos, Creonte diz ao rei que, para livrar a cidade do flagelo, é preciso encontrar e punir o assassino de Laio. Édipo diz aos tebanos que o criminoso, banido, será maldito para sempre. O cego Tirésias, chamado para ajudar nas investigações, diz a Édipo que o assassino está mais perto do que ele imagina. O rei se lembra então da antiga profecia que o fez sair de Corinto e teme ter fracassado na tentativa de se opor ao seu destino. Em pouco tempo, chega um mensageiro de Corinto noticiando a morte de Pólibo, de quem Édipo não era filho legítimo, conforme se vem a saber. Quase ao mesmo tempo, aparece o homem que compunha a comitiva de Laio no dia em que este foi morto. Trata-se do mesmo pastor que abandonara o bebê no monte Citerão. Aquela criança está agora diante dele: é o rei de Tebas. Tudo se revela: Édipo matara seu verdadeiro pai (Laio) e desposara sua mãe (Jocasta).
A rainha suicida-se e Édipo fura os próprios olhos. Cego, Édipo decide abandonar a cidade. Seguindo a sugestão de Creonte, porém, permanece por mais algum tempo em Tebas. Testemunhando a luta de seus dois filhos pelo poder, amaldiçoa-os e torna-se novamente andarilho; sua filha Antígona guia-o. Ao aproximar-se dos bosques de Colono, pressente que logo morrerá. A terra que o acolhe se torna sagrada.
            Vemos com esse resumo, o espírito determinista que havia entre os gregos. Com o advento (a chegada) do cristianismo, a ideia de que somos livres  começa a ganhar força, de tal maneira que influenciou e influencia até hoje as civilizações do mundo.

TIPOS DE LIBERDADE[1]
Quando nos referimos à liberdade de maneira geral, é preciso admitir que são variadas as maneiras pelas quais pode­mos compreendê-la. Se ninguém é so­litário, pois convive na comunidade dos homens, a liberdade é um desafio que permeia todos os campos da atividade humana.
Assim, podemos falar em liberdade ética quando nos referimos ao sujeito moral, capaz de decidir por si mesmo a respeito de como deve se conduzir sua vida, em relação a si mesmo e aos outros. Kant dizia que a liberdade consiste na obe­diência às leis que o próprio sujeito mo­ral se impõe.
No entanto, ser autônomo é um de­safio que muitas pessoas não conse­guem suportar. Os riscos de enganos, a  angústia de ter sempre que decidir por si próprio e a responsabilidade que o ato li­vre acarreta fazem com que a liberda­de seja considerada antes um pesado fardo do que privilégio. Por isso há tantos que a ela renunciam, para se aco­modarem na segurança das verdades dadas.
A liberdade econômica onde as pessoas podem adquirir os bens que elas querem, podem pagar pelos serviços que querem, sejam eles, escolas, restaurantes, planos de saúde, etc.
Porém, nem todo mundo tem essa liberdade econômica. Muitas pessoas vivem a sua vida
A liberdade jurídica é uma das conquis­tas das modernas sociedades democrá­ticas que defendem a igualdade perante a lei. Ninguém pode ser submetido à servidão e à escravidão; qualquer um tem (ou deveria ter...) a garantia da li­berdade de locomoção, pensamento, agremiação e ação, nos limites estabe­lecidos pela lei.
A aristocracia supõe a existência de indivíduos "especiais" (aristos, "óti­mo") que teriam privilégios. Foi con­tra as vantagens da nobreza que a bur­guesia se insurgiu no século XVIII, im­plantando os ideais contidos na Decla­ração dos Direitos que serviram de ins­piração para a construção da nova or­dem jurídica daí em diante.
No entanto, nem todos têm acesso à lei de igual maneira. A justiça é lenta e cara e o poder econômico interfere sempre que pode. Ao se fazer as leis de um país, é quase impossível evitar a in­terferência daqueles que detêm algum poder e desejam manter privilégios. Por ocasião da Constituinte de 1988, a dis­cussão a respeito dos mais diversos as­suntos, como reforma agrária, aposen­tadoria e verbas para educação públi­ca, foi alvo de pressões as mais diver­sas, não podendo ser subestimadas as forças decorrentes do poder econômico.
Até aqui nos referimos ao homem enquanto participante da sociedade civil, isto é, enquanto pai, filho, trabalha­dor, empresário, estudante e assim por diante. Os espaços da casa, da fábrica, da escola são caminhos possíveis da li­berdade (ou não!...).
A liberdade política se coloca no espa­ço público, no espaço do cidadão, isto é, do homem enquanto participante dos destinos de sua cidade, de seu estado e país
Há liberdade política quando o cida­dão tem conhecimento do que aconte­ce nas diversas instâncias do poder pú­blico. Além do conhecimento, é preci­so que exista a liberdade de opinião, de voto, de associação, enfim do livre exer­cício da cidadania, com suas múltiplas características.
Ser livre em política é amadurecer o suficiente para aceitar o pluralismo, e portanto conviver com a diferença e os inevitáveis confrontos dela decorrentes. É amadurecer para superar os interes­ses pessoais quando isso for exigido pe­lo interesse coletivo.
Um, filósofo do século XVI, perguntava-se, um tanto confuso, por que o homem troca a liberdade pela "servidão voluntária", essa estranha expressão aparentemente inconcebível: como é possível que o homem, sendo essencialmente liberdade, deseje se submeter a outro?
Não precisamos ir longe para confir­mar isso: quando vivemos situações de relativa intranqüilidade, com muitas greves, inflação ou alto índice de crimi­nalidade, sempre surgem pessoas que anseiam por um "braço forte" que "po­nha ordem na casa". Pede-se a volta do "pai onipotente", quer seja Hitler na Alemanha nazista, quer sejam os gene­rais do golpe militar no Brasil.
Podemos concluir que a liberdade não é alguma coisa que é dada, mas re­sulta de um projeto de ação. É uma ár­dua tarefa cujos desafios nem sempre são suportados pelo homem, daí resul­tando os riscos de perda da liberdade. Como vimos, os descaminhos da liber­dade surgem quando ela é sufocada à revelia do sujeito — no caso da escra­vidão, da prisão injusta, da exploração do trabalho, do governo autoritário — ou quando o próprio homem a ela ab­dica, seja por comodismo, medo ou insegurança.
Cabe à reflexão filosófica o olhar atento para denunciar os atos de pre­potência bem como a ação silenciosa da alienação e da ideologia.


Exercício

1)    Defina o que vem a ser liberdade na sua concepção.

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2)    Conceitue o que vem a ser Determinismo.

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3)    Que relações podemos fazer com o mito de Édipo e o determinismo?
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4)    Comente a seguinte frase do músico Renato Russo na canção “Há Tempos”: “disciplina é liberdade”

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5)    Comente sobre a relação entre o tipo de liberdade, chamado liberdade econômica e o documentário “Ilha das flores”.

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[1] Adaptado do livro “Temas de Filosofia”
FICHA DO 6°ANO 

O QUE É FILOSOFIA?          


(Mafalda do cartunista argentino Quino)

Acima temos duas tirinhas de Mafalda, menina questionadora por natureza, perguntando a seu pai o que vem a ser filosofia. No primeiro quadrinho, Mafalda sabe que a pergunta vai demorar bastante a ser respondida e traz uma pequena mesa, em seguida traz uma cadeira um copo e uma jarra de água. Mafalda no primeiro quadrinho pressente que a resposta a tal pergunta será demorada e por isso traz todas essas coisas. Já no segundo quadrinho, vemos que o pai da garotinha tem vários livros ao seu redor e isso mostra o quanto o pai dela está tendo dificuldades de responder “o que é filosofia”. Não é à toa que se mostra no quadrinho a dificuldade em definir o que é a filosofia. É difícil tanto para uma criança quanto para um adulto entender o que é filosofia. Até mesmo para estudantes e professores dessa disciplina, (como este humilde professor de filosofia que vos fala) definir com toda a certeza o que é filosofia até porque muitos pensadores tentaram fazê-lo e deram, portanto, definições diferentes. Immanuel Kant, filósofo alemão do século XVIII afirmava que “não se ensina filosofia mas, a filosofar. Já Merleau-Ponty (lê-se “Merlou Pontí) filósofo do século XX, dizia que “filosofar é reaprender a ver o mundo.
Vamos tentar explicar essas duas famosas frases. Kant queria dizer que filosofia é uma disciplina que envolve uma POSTURA. E que postura é essa? É a POSTURA CRÍTICA que é a maneira racional de lidar com o conhecimento, sempre buscando entender mais a fundo o conhecimento verdadeiro e não se conformando com explicações incompletas ou que nos aguce a curiosidade de ir além das explicações.
Nós estamos acostumados na escola, ouvir o que nosso professor explica acerca de sua disciplina, a estudar os conteúdos e, nas avaliações, responder as questões de acordo com o que foi visto em sala de aula. É claro que isso é essencial ao nosso aprendizado estudar o que grandes pensadores e cientistas realizaram. Mas, muitas vezes ficamos curiosos e queremos ir a fundo naquilo que nos é ensinado. Por exemplo, o professor de filosofia está dando uma aula sobre o filósofo Platão. O professor fala que Platão foi um filósofo grego que foi um dos maiores pensadores de todos os tempos pois, a sua maneira de pensar, influencia até hoje em como se faz ciência. Alguns alunos vão memorizar e anotar o que o professor falou. Outros vão perguntar ao professor: “mas, querido professor, quais foram os pensamentos que fizeram com que Platão fosse tão importante”? E o professor tentará, com muito boa vontade, comentar sobre tal pergunta. Essa postura do aluno que pergunta e, tenta conhecer mais, é a postura questionadora e filosófica.
            No programa de televisão Castelo Rá-Tim-Bum, existe um personagem de nome Zequinha, que questiona tudo à sua volta. Ele não se contenta com as explicações lhe dão e sempre pergunta o porquê das coisas serem da maneira como explicam e com isso, tenta chegar a um conhecimento mais aprofundado.
A atitude de Zequinha pode ser comparada com a atitude do filósofo que se pergunta sobre tudo, nunca se conformando com respostas incompletas.
Por isso que não se ensina filosofia, ensina-se a filosofar, ou seja, se ensina a ter uma postura crítica diante daquilo que nós aprendemos sobre o mundo.
            Vimos no período passado que os povos antigos tinham uma maneira diferente de lidar com a natureza: pensavam que as mudanças climáticas, as cheias das marés, e tudo no mundo estava diretamente relacionado com a vontade dos deuses. Se determinado deus estivesse zangado, poderia mandar tempestades e cheias para a terra. Se estivesse de bom humor, permitir um bom clima. Com o passar dos tempos, a consciência mudou e eles passaram a não mais atribuir as mudanças ocorridas no mundo à vontade dos deuses, ou seja, as pessoas passaram a dar mais atenção aos questionamentos racionais. Mas, vale lembrar que historicamente, admitimos que o povo que rompeu primeiramente com a visão mítica das coisas foram os gregos. Mas, a passagem da visão mitológica para a racional não se deu de uma hora para a outra. Alguns fatores contribuíram para tal acontecimento:
* Viagens marítimas – navegando por territórios antes desconhecidos os gregos perceberam que as criaturas imaginárias criadas pela mitologia grega não eram reais e que também não existiam deuses em outras regiões, como sugeria a mitologia e sim seres humanos. Também concluíram que os mares não eram moradia de monstros e outros seres. Com as viagens o mundo perdeu seu caráter mítico ou lendário, os exploradores descobriram um mundo repleto de belezas e conhecimentos, seu surgimento foi sendo esclarecido pouco a pouco, mistério este que a mitologia já não conseguia explicar.
* Invenção do calendário – Os gregos aprenderam que era possível contar o tempo das estações do ano, definindo quando e de que forma aconteciam as mudanças do clima e do dia, notando que o tempo passava por transformações espontaneamente e não por intervenções divinas.
*A invenção do alfabeto que permitia com que os gregos se expressassem com mais clareza
*A praça pública na Grécia – Havia na Grécia antiga um local chamado Ágora que era a praça principal da cidade onde as pessoas debatiam os mais diversos assuntos.
Diante dessas circunstâncias, vemos o nascer da filosofia que chega timidamente na vida dos gregos, substituindo a forma mítica de se fazer conhecimento para a forma mais racional e científica. O conceito de natureza é modificado a partir da filosofia: se antes a natureza era vista como encantada e cheia de deuses, com o início do pensar filosófico, os homens passaram a tratá-la como objeto de estudo e questionamentos.
            O campo os quais os primeiros filósofos irão focar suas pesquisas é na NATUREZA. A natureza, como foi dito antes, era vista de maneira fantástica e povoada por deuses que a governavam. Vejamos abaixo, quem foi, segundo os historiadores, o primeiro filósofo.

TALES DE MILETO, O PRIMEIRO FILÓSOFO
(TUDO VEIO DA ÁGUA)

Este filósofo pré-socrático é considerado o pai da filosofia ocidental. Descendente dos fenícios, ele nasceu em uma ancestral colônia da Grécia, Mileto, localizada na Ásia Menor, atualmente conhecida como Turquia, aproximadamente entre 624 e 625 a.C.
            Tales é apontado como um dos sete sábios da Grécia Antiga. Além disso, foi o fundador da Escola Jônica (Escola de filosofia que se situava num lugar chamado Jônia). Considerava a água como sendo a origem de todas as coisas, e seus seguidores, embora discordassem quanto à “substância primordial” (que constituía a essência do universo), concordavam com ele no que dizia respeito à existência de um “princípio único" para essa natureza primordial. Talvez Tales tenha dito que a água era o princípio de tudo por observar que todas as coisas vivas dependem de água para existir.
Hoje podemos achar até bobo a ideia de Tales de que todas as coisas vinham da água. Porém, como dizia Nietzsche, a importância de tal ideia é a de que foi a primeira a romper com a explicação mitológica da natureza.
Tales foi o primeiro a explicar o eclipse solar, ao verificar que a Lua é iluminada por esse astro. Segundo Heródoto, ele teria previsto um eclipse solar em 585 a.C. Segundo Aristóteles, tal feito marca o momento em que começa a filosofia. Os astrônomos modernos calculam que esse eclipse se apresentou em 28 de Maio do ano mencionado por Heródoto.
Se Tales aparece como o iniciador da filosofia, é porque seu esforço em buscar o princípio único da explicação do mundo não só constituiu o ideal da filosofia como também forneceu impulso para o próprio desenvolvimento dela.



Questões para serem respondidas no CADERNO valendo 1.0 ponto na nota:

1)    Você acha que dizer o que é filosofia é fácil ou difícil? Justifique sua resposta.
2)    Se adotarmos uma postura filosófica diante do mundo nós iremos adotar a postura crítica ou não vamos questionar sobre nada? Justifique sua resposta
3)    Em que a atitude de Zequinha pode ser comparada com a atitude do filósofo?
4)    Qual a diferença da maneira mitológica e a maneira filosófica de enxergar a natureza?
5)    Podemos dizer que a maneira mítica e filosófica de conceituar natureza se diferem em que?
6)    Porque tales é considerado o primeiro filósofo?
7)    Porque a água é considerada a origem de todas as coisas segundo Tales?

8)    Segundo Nietzsche, qual é a importância do pensamento de Tales?


quarta-feira, 17 de abril de 2013

1° Ficha de filosofia para o 6°ano


O MITO

1.    O que é o Mito?

O mito é o nada que é tudo.
O mesmo sol que abre os céus
É um mito brilhante e mudo.
--Fernando Pessoa


O deus Thor dos vikings na Batalha contra os gigantes. Pintura de Mårten Eskil Winge (1872)

            Com certeza você já deve ter tido algum contato com a questão da mitologia, seja ela via livros, histórias em quadrinhos ou filmes. O mito é uma forma do ser humano se entender e então compreender o mundo, encontrando seu lugar entre os demais seres da natureza. Quando ainda não havia o método científico o mito era a maneira encontrada por nós, seres humanos, para dar conta dos nossos porquês.
            Dessa maneira, podemos definir o mito como um conjunto de modos fantásticos, miraculosos e não científicos, criados para explicar os fenômenos naturais (tempestades, secas, maremotos etc.), para explicar a construção cultural (a maneira como uma sociedade se formou), para explicar também a origem do mundo e do universo etc.
            É desse desejo humano de entender e compreender a natureza ao seu redor e dar-lhe sentido que o mito surge. Essa natureza que o cerca era misteriosa, cheia de coisas não explicadas e ao mesmo tempo, assustadoras pois, num momento o dia estava ensolarado e calmo e noutro, com chuvas e tempestades. Como explicar isso? Lembrando que a ciência da maneira como a conhecemos é algo relativamente recente, datando do séc. XVI. Antes do desenvolvimento e propagação da ciência moderna, os seres humanos se achavam a mercê das forças naturais. Hoje em dia, tendemos a interpretar a natureza como algo belo, como a praia, como uma floresta com bosques e animais silvestres, como uma fazenda no interior etc.
            Mas, para os povos antigos, a natureza como foi mencionado anteriormente, era fonte de mistérios e temores. Eles não olhavam para o mundo e a natureza de maneira a achá-los simplesmente matéria para estudos científicos mas, a percebiam como “impregnadas de qualidades boas ou más, amigas ou inimigas, familiares ou sobrenaturais, fascinantes e atraentes ou ameaçadoras e repelentes. Assim, o ser humano se move dentro de um mundo animado por forças que ele precisa agradar para que haja caça abundante, para que a terra seja fértil, para que a tribo ou grupo seja protegido, para que as crianças nasçam e os mortos possam ir em paz”. (ARANHA, M. L de Arruda, MARTINS, M. H. P. 2004, p. 63).
            E assim, podemos dizer que o pensamento mítico está bastante ligado à magia, ao desejo de que as coisas aconteçam de um modo determinado. É a partir daí que se desenvolvemos rituais enquanto maneiras de fazer com que a natureza fizesse o que queríamos que ela fizesse. “O ritual é o mito tornado ação” (idem).
            Temos numerosos registros de como esses rituais eram realizados. Nas cavernas de Lascaux e Altamira, o homem do paleolítico (há mais de 10 mil anos atrás) desenhava animais nas paredes das cavernas e depois os atacava com lanças e flechas  para garantir que a caçada fosse boa.
            Como não havia livros de história nem a ciência histórica, tal como a conhecemos hoje em dia, os povos antigos também usavam o mito como uma maneira de contar a história de sua comunidade, de seus antepassados, de maneira que não há comprovação científica nem registros exatos de que aquelas histórias narradas pelos mitos sejam verdadeiras pois, eram passadas de geração para geração, de pessoas mais velhas para pessoas mais novas.
            Na Grécia antiga, havia a figura do aedo, que era uma espécie de artista que saia de cidade em cidade narrando coisas que aconteceram na realidade, como a guerra de Tróia, por exemplo, de forma a misturar a realidade com ficção, misturar seres que existiram na realidade com seres puramente mitológicos, criados pela imaginação humana.
           
2.    As funções do mito

O ser humano sempre teve admiração pela natureza mas, também sempre desejou de alguma maneira dominá-la. Isso é atestado hoje em dia pela nossa ciência e foi atestado antigamente pelos rituais de caça dos homens do paleolítico. O mito tem algumas funções para nós tais como: 1) De acomodar e tranquilizar o ser humano diante do mundo que era assustador e cheio de criaturas fantásticas que comandavam a natureza. 2) Fazer com que tivéssemos algum domínio sobre a natureza, na forma de rituais (como os rituais de caça antigos, ou de sacrifícios para agradar aos deuses). 3) contar a história da formação do mundo, de uma comunidade ou dos antepassados de alguém, por exemplo, a Ilíada[1]. 4) A partir de personagens míticos, visava-se também educar as crianças e os jovens nos costumes de determinada sociedade.

Representação idealizada de Homero feita no Período Helenístico (323 a 146 a.c.).




O MITO DE PANDORA

Prometeu, deus cujo nome em grego significa "aquele que vê o futuro", doou aos homens o fogo e as técnicas para acendê-lo e mantê-lo. Zeus, o soberano dos deuses, se enfureceu com esse ato, porque o segredo do fogo deveria ser mantido entre os deuses. Por isso, ordenou a Hefesto [1], que criasse uma mulher que fosse perfeita, e que a apresentasse à assembléia dos deuses. Atena, a deusa da sabedoria e da guerra, vestiu essa mulher com uma roupa branquíssima e adornou-­lhe a cabeça com uma guirlanda de flores, montada sobre uma coroa de ouro. Hefesto a conduziu pessoalmente aos deuses, e todos ficaram admirados; cada um lhe deu um dom particular:
Atena lhe ensinou as artes que convêm ao seu sexo, como a arte de tecer;
Afrodite lhe deu o encanto, que despertaria o desejo dos homens;
As Cárites, deusas da beleza, e a deusa da persuasão ornaram seu pescoço com colares de ouro;
Hermes, o mensageiro dos deuses, lhe concedeu a capacidade de falar, juntamente com a arte de seduzir os corações por meio de discursos insinuantes.
Depois que todos os deuses lhe deram seus presentes, ela recebeu o nome de Pandora, que em grego quer dizer "todos os dons".
Finalmente, Zeus lhe entregou uma caixa bem fechada, e ordenou que ela a levasse como presente a Prometeu. Entretanto, ele não quis receber nem Pandora, nem a caixa, e recomendou a seu irmão, Epimeteu, que também não aceitasse nada vindo de Zeus. Epimeteu, cujo nome significa "aquele que reflete tarde demais", ficou encantado com a beleza de Pandora e a tomou como esposa.
A caixa de Pandora foi então aberta e de lá escaparam a Senilidade, a Insanidade, a Doença, a Inveja, a Paixão, o Vício, a Praga, a Fome e todos os outros males, que se espalharam pelo mundo e tomaram miserável a existência dos homens a partir de então. Epimeteu tentou fechá-la, mas só restou dentro a Esperança, uma criatura alada que estava preste a voar, mas que ficou aprisionada na caixa [...] e é graças a ela que os homens conseguem enfrentar todos os males e não desistem de viver.

FONTE: (CHALITA, Vivendo a filosofia, 2004, p.26).

Bibliografia:

ARANHA, Maria Lucia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires. Temas de filosofia. 2. ed. rev. São Paulo: Editora Moderna, 2001
CHALITA, Gabriel. Vivendo a filosofia. São Paulo: Editora Ática, 2004         
FEITOSA, Charles. Explicando a filosofia com arte. 2.ed. Rio de Janeiro: Ediouro, 2009


[1] Poema atribuído a Homero (séc. VIII antes de Cristo) onde se conta a história da guerra de Tróia tendo como protagonista,  Aquiles e seus feitos nesta guerra.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Ficha para o 7° ano


Origem da filosofia através de um sentimento fundamental: Thaumazein

Como já se sabe, Filosofia quer dizer “Amor ou Amizade à Sabedoria” e, portanto, ela envolve também sentimentos. Ela envolve um sentimento que privilegia a razão e nos faz ir além das aparências e nos guia em busca da verdade. O que move o filósofo é seu amor à sabedoria porém, há outro sentimento envolvido com a filosofia e que marca seu início: Thaumazein, uma palavra grega e significa “estranhamento”, “perplexidade”, ou ainda, “espanto”. Podemos dizer que Truman, Neo em Matrix e o Homem que saiu da caverna para contemplar o mundo lá fora todos eles tiveram este sentimento fundamental. Este sentimento é dito fundamental porque é ele que inicia a atitude filosófica e nos faz ver o mundo de maneira diferenciada. Vejamos a definição dada a thaumazein pela Wikipédia:

“Originalmente, todas as áreas que hoje denominamos ciências faziam parte da Filosofia: expressão, no mundo grego, de um conjunto de saber nascido em decorrência de uma atitude. E, de fato, tanto Platão, no Fédon, quanto Aristóteles, na Metafísica, puseram na atitude admirativa, no admirar tò thaumázein, e também no páthos ("um tipo de afetação, que pode ser definido como um estranhamento"), o início da Filosofia. "No Teeteto, Sócrates diz a Teodoro que o filósofo tem um páthos, ou seja, um sentimento ou sensibilidade que lhe é própria: a capacidade de admirar ou de se deixar afetar por coisas ou acontecimentos que se dão à sua volta". O thaumázein, assim como o páthos, têm a ver com "um bom ânimo ou boa disposição (...) que levou certos indivíduos a deixar ocupações do cotidiano para se dedicar a algo extraordinário, a produção do saber: uma atividade incomum, em geral pouco lucrativa, e que nem sequer os tornava moralmente melhores que os outros."[1]
O sentimento “Thaumazein” nos conduz e nos obriga a tomar uma postura acerca de nossas crenças e convicções: ou nós simplesmente ignoramos o thaumazein ou nos apegamos e ele e passamos a ter a atitude filosófica.    

A atitude filosófica[2]

Imaginemos, agora, alguém que tomasse uma decisão muito estranha e começasse a fazer perguntas inesperadas. Em vez de “que horas são?” ou “que dia é hoje?”, perguntasse: O que é o tempo? Em vez de dizer “está sonhando” ou “ficou maluca”, quisesse saber: O que é o sonho? A loucura? A razão? Se essa pessoa fosse substituindo sucessivamente suas perguntas, suas afirmações por outras: “Onde há fumaça, há fogo”, ou “não saia na chuva para não ficar resfriado”, por: O que é causa? O que é efeito?; “seja objetivo ”, ou “eles são muito subjetivos”, por: O que é a objetividade? O que é a subjetividade?; “Esta casa é mais bonita do que a outra”, por: O que é “mais”? O que é “menos”? O que é o belo? Em vez de gritar “mentiroso!”, questionasse: O que é a verdade? O que é o falso? O que é o erro? O que é a mentira? Quando existe verdade e por quê? Quando existe ilusão e por quê? Se, em vez de falar na subjetividade dos namorados, inquirisse: O que é o amor? O que é o desejo? O que são os sentimentos? E se, em vez de afirmar que gosta de alguém porque possui as mesmas idéias, os mesmos gostos, as mesmas preferências e os mesmos valores, preferisse analisar: O que é um valor? O que é um valor moral? O que é um valor artístico? O que é a moral? O que é a vontade? O que é a liberdade? Alguém que tomasse essa decisão, estaria tomando distância da vida cotidiana e de si mesmo, teria passado a indagar o que são as crenças e os sentimentos que alimentam, silenciosamente, nossa existência.
Ao tomar essa distância, estaria interrogando a si mesmo, desejando conhecer por que cremos no que cremos, por que sentimos o que sentimos e o que são nossas crenças e nossos sentimentos. Esse alguém estaria começando a adotar o que chamamos de atitude filosófica.
Assim, uma primeira resposta à pergunta “O que é Filosofia?” poderia ser: A decisão de não aceitar como óbvias e evidentes as coisas, as idéias, os fatos, as situações, os valores, os comportamentos de nossa existência cotidiana; jamais aceitá-los sem antes havê-los investigado e compreendido. Perguntaram, certa vez, a um filósofo: “Para que Filosofia?”. E ele respondeu: “Para não darmos nossa aceitação imediata às coisas, sem maiores considerações”.
O Pensador de Auguste Rodin. Figura que representa o homem imerso em seus pensamentos.


A atitude crítica

A primeira característica da atitude filosófica é negativa, isto é, um dizer não ao senso comum, aos pré-conceitos, aos pré-juízos, aos fatos e às idéias da
experiência cotidiana, ao que “todo mundo diz e pensa”, ao estabelecido. A segunda característica da atitude filosófica é positiva, isto é, uma interrogação sobre o que são as coisas, as idéias, os fatos, as situações, os comportamentos, os valores, nós mesmos. É também uma interrogação sobre o porquê disso tudo e de nós, e uma interrogação sobre como tudo isso é assim e não de outra maneira. O que é? Por que é? Como é? Essas são as indagações fundamentais da atitude filosófica.
A face negativa e a face positiva da atitude filosófica constituem o que chamamos de atitude crítica e pensamento crítico. A Filosofia começa dizendo não às crenças e aos preconceitos do senso comum e, portanto, começa dizendo que não sabemos o que imaginávamos saber; por isso, o patrono da Filosofia, o grego Sócrates, afirmava que a primeira e fundamental verdade filosófica é dizer: “Sei que nada sei”. Para o discípulo de Sócrates, o filósofo grego Platão, a Filosofia começa com a admiração; já o discípulo de Platão, o filósofo Aristóteles, acreditava que a Filosofia começa com o espanto. Admiração e espanto significam: tomamos distância do nosso mundo costumeiro, através de nosso pensamento, olhando-o como se nunca o tivéssemos visto antes, como se não tivéssemos tido família, amigos, professores, livros e outros meios de comunicação que nos tivessem dito o que o mundo é; como se estivéssemos acabando de nascer para o mundo e para nós mesmos e precisássemos perguntar o que é, por que é e como é o mundo, e precisássemos perguntar também o que somos, por que somos e como somos.
           

Exercício de fixação

1)    Explique o que é thaumazein.
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2)    Explique, de acordo com o texto: o que vem a ser a atitude filosófica?
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3)    O que é filosofia, de acordo com o texto?

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4)    Quais são as características da atitude filosófica?

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Referências bibliográficas


CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia

Essa ficha estará disponível no nosso blog: corujinhafilosofica.blogspot.com.br



[2] O texto que reproduzo aqui se encontra no livro: Convite à Filosofia, de Marilena Chauí, Unidade 1, capítulo 2